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André Midani, executivo com alma de artista e paixão pela música, deixa legado histórico na indústria do disco.
Ao dirigir gravadoras no Brasil, sírio contribuiu decisivamente para a consolidação da MPB nos anos 1970 e a explosão do rock na década de 1980.



Quando desembarcou no Brasil em dezembro de 1955, vindo da França. o sírio André Haidar Midani (25 de setembro de 1932 – 14 de junho de 2019) queria apenas fugir de um destino comum que o induzia ao ofício de confeiteiro.
Mas sabia Midani, naquele momento ainda incerto da vida, que ele iria adoçar a vida com música. E que iria fazer da música o ganha-pão que o transformaria no mais importante executivo da indústria fonográfica do Brasil – relevância atestada hoje com a comoção no meio musical por conta da morte de Midani, no Rio de Janeiro (RJ), aos 86 anos.
A paixão pelo disco o levou a arrumar emprego na gravadora Odeon, em fins dos anos 1950, mas foi no comando da filial brasileira do conglomerado multinacional Phonogram / Philips, de 1967 a 1975, que Midani inscreveu definitivamente o nome em lugar de honra na história da música brasileira.
Gerenciando o elenco dessa gravadora, Midani lançou artistas como Tim Maia (1942 – 1998), Luiz Melodia (1951 – 2017) e Raul Seixas ((1945 – 1989). E, além de lançar esses ídolos, foi determinante para o desenvolvimento e consolidação da carreira de astros da MPB revelados nos anos 1960 na plataforma dos festivais da canção.
Foi Midani quem revitalizou a carreira de Jorge Ben Jor em 1969, quem convenceu Chico Buarque trocar a pequena gravadora RGE pela Philips, quem amansou a geralmente indomável Elis Regina (1945 – 1982) quando a Pimentinha queria sair da da companhia e quem garantiu a continuidade das carreiras fonográficas de Caetano Veloso e Gilberto Gil quando ambos amargavam exílio em Londres.
Se tivesse encerrado a carreira em 1975, ao sair da Philips para implantar a Warner no Brasil, Midani já teria sido nome fundamental da música brasileira. Mas aí vieram os anos 1980, década em que a MPB teve a hegemonia abalada pelo pop rock que invadiu a praia dos medalhões da MPB.
E quem foi quem ajudou a abrir as portas para essa invasão? Midani, claro. Quando estava na gravadora WEA, no alvorecer dos anos 1980, o executivo avalizou as contratações de grupos como Titãs e Kid Abelha. E também a de Lulu Santos, que há anos tentava decolar no mercado.
Mais do que um executivo visionário, Midani sabia ser conciliador. Entendia a alma sensível dos artistas, talvez porque ele mesmo – vaidoso e de temperamento forte – tivesse uma alma de artista. Por isso, foi tão querido por todos esses artistas.
Midani sabia lidar com gênios geniosos. Tanto que, em 1972, Dona Canô (1907 – 2012) recorreu ao executivo para apartar briga entre os filhos, Caetano Veloso e Maria Bethânia. E lá foi Midani para a Bahia fazer os irmãos se entenderem e darem continuidade ao álbum Drama, disco gravado por Bethânia com produção de Caetano Veloso.
Testemunha ocular do surgimento da Bossa Nova, da criação da Tropicália e da explosão do rock brasileiro, André Midani deixa legado histórico na indústria brasileira do disco.
Era executivo, mas sabia temperar a visão fria e racional dos negócios com a paixão genuína pela música. Uma música que – ele aprendeu logo cedo quando, jovem contratado da Odeon, viu o sucesso de cantores considerados cafonas – tinha que ser feita com verdade, com sentimento.
Em dezembro de 1955, ao aportar no Brasil, o ex-futuro confeiteiro jamais imaginou que seria a cereja de um bolo fundamental para o crescimento da música brasileira, contribuindo decisivamente para a consolidação da MPB nos anos 1970 e a explosão do rock na década de 1980. Cidadão do mundo, André Midani fez história na música do Brasil.

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  Data: 14/06/2019