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Disco em que Renato Russo celebrou Stonewall conserva a relevância musical e social nos 50 anos do levante gay.
Lançado em 1994, o primeiro álbum solo do cantor da Legião Urbana se mantém atraente pela sensibilidade das interpretações e da seleção do repertório.




Em 1994, um então já orgulhosamente assumido Renato Russo (27 de março de 1960 – 11 de outubro de 1996) celebrou em disco solo os 25 anos do levante ocorrido em 28 de junho de 1969 no bar Stonewall Inn, situado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan, em Nova York (EUA).
Primeiro álbum solo desse cantor e compositor carioca que deu dimensão poética ao rock brasileiro no comando da banda Legião Urbana, gravado entre fevereiro e março daquele ano de 1994, The Stonewall celebration concert resultou em disco ativista e importante.
A importância veio do fato de que, numa época em que a grande maioria dos popstars brasileiros ainda vivia no armário, Russo disse metaforicamente o nome do amor dele e lembrou o pioneirismo dos integrantes da comunidade LGBTQIA+ que se rebelaram contra a violência da polícia de Nova York (EUA) e revidaram os ataques no bar Stonewall, fazendo brotar há 50 anos a semente de um orgulho gay que se espalhou pelo mundo todo.
O tempo passou, Russo saiu precocemente de cena – dois anos após o lançamento do disco, em decorrência de complicações da infecção pelo vírus da Aids – e o álbum The Stonewall celebration concert conservou toda a beleza ao longo de 25 anos de existência.
Nesta sexta-feira, 28 de junho de 2019, dia em que o universo LGBTQIA+ celebra os 50 anos da revolta de Stonewall, o orgulhoso álbum solo de Renato Russo soa ainda mais relevante em um Brasil alimentado por contradições. Um Brasil que aclama um popstar trans como Pabllo Vittar ao mesmo tempo que se mantém tristemente no topo do ranking dos países em que mais mais integrantes da comunidade LGBTQIA+ são mortos, vítima da homofobia cotidiana.
Além da importância ativista, o álbum The Stonewall celebration concert também se conserva relevante pelo mérito musical. Renato Russo nunca cantou tão bem – em inglês – como nas 21 gravações desse disco cujo repertório irmanou baladas de diversas épocas da música norte-americana. Algumas já eram standards em 1994, caso de Send in the clowns (Stephen Sondheim, 1973). Outras eram canções então recentes do pop, caso de Cherish (Madonna e Patrick Leonard, 1989), balada-chiclete que Madonna lançara cinco anos antes.
Não eram canções explicitamente gays, mas tudo estava subentendido (e bem entendido) nas letras de baladas como Old friend (Nancy Ford and Gretchen Cryer, 1979). Uma das joias raras do disco, Old friend evidencia os teclados de Carlos Trilha, músico também responsável pelas programações do disco.
Embora a produção e os arranjos do álbum The Stonewall celebration concert sejam creditados a Renato Russo, Trilha foi músico fundamental na construção da cama firme e delicada que sustentou o cantor no registro de When you wish upon a star (Ned Washington e Leight Harline, 1940), The ballad of the sad young men (Tommy Wolf e Fran Ladesman, 1958) – exemplo da singularidade íntima do repertório selecionado por Russo com base no refinado gosto pessoal do artista – e Close the door lightly when you go (Eric Andersen, 1966), entre outras canções.
Além dos teclados de Carlos Trilha, o violão tocado por Renato Russo conduz a levada de músicas como If tomorrow never comes (Garth Brooks e Kent Blazy, 1989), balada do universo country que o artista brasileiro inseriu no relicário afetivo deste álbum explicitamente sensível.
Antes de artistas como Liniker e Pabllo Vittar desfraldarem a bandeira da diversidade sexual no universo pop brasileiro, houve Renato Russo, entre outros pioneiros. E houve esse disco lindo e delicado que conserva hoje, dia dos 50 anos do levante de Stonewall, o mesmo frescor de 25 anos atrás. Por isso mesmo, em que pesem todas as adversidades, let's face the music and dance para celebrar o orgulho da comunidade LGBTQIA+

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  Data: 28/06/2019